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Há um ano escrevi esse post sobre o Dragon Boat Festival. Eis que a vida passa, eu continuo na China e dessa vez resolvi fazer os tais zongzi com as minhas próprias mãos! A tarefa não é fácil… mas vamos lá! Me matriculei numa aula e eis no que deu:

Zongzi é um pacotinho de arroz aglutinado, com diferentes opções de recheios, envolto em folhas de cana de açúcar. Eu achava que era de bambu, mas ledo engano.

Na aula aprendi dois formatos: um triangular, bem difícil, e com um recheio de arroz com feijão um tanto duvidoso… e um retangular, que é o que eu vou mostrar aqui, com recheio de porco e ovo de pato.

Ingredientes :

ingredientes

  • 500g de arroz aglutinado*
  • 300g da barriga do porco marinado** (a gordura é essencial, pois derreterá e deixará o arroz saboroso)
  • 10 gemas de pato salgado (É uma gema pequena e dura, aqui é fácil de comprar. Se não achar dá pra descartar, não é essencial)
  • 30 folhas de cana (pré cozidas por 3 minutos)

*temperos do arroz:

  • 2 colheres de molho de soja escuro (esse serve para dar a cor)
  • 2 colheres de molho de soja claro (esse serve para dar o gosto)

Lave o arroz e deixe-o de molho por pelo menos uma hora. Escorra. Misture os temperos.

**temperos do porco:

  • 1 colher de sopa de vinho amarelo de arroz
  • 1 colher de chá de sal
  • 1/2 colher de chá de caldo de galinha em pó (eles usam isso pra muitas receitas!)
  • 3 colheres de chá de açúcar

Corte a barriga do porco em cubos de aproximadamente 30g. Adicione o tempero e deixe marinando por 5 horas.

Montagem:

pegue 3 folhas formando um leque e uma folha no sentido oposto.

3 folhas num sentido e 1 no sentido inverso
Dobre as folhas ao meio formando a ponta de triângulo não muito profundo:

primeira dobra

 Montando o recheio colocando um pouco do arroz  na parte profunda do triângulo, acrescente um cubo de carne e uma gema, cubra com mais um pouco de arroz, preenchendo mais na direção da folha do que para os lados, senão não dá pra fechar o bolinho. 

colocando o recheio

 

 

zongzi prontos para ir para a panela

 
Coloque-os na panela, cubra com água e cozinhe em fogo alto até começar a ferver, depois abaixe o fogo e deixe cozinhar por 3 horas, de tampa fechada. Se precisa colocar mais água, coloque água quente para não interromper o cozimento. Enquanto cozinhava, minha casa foi inundada por um cheiro delicioso que parecia pamonha, que me fez lembrar que é mês de festa junina! Viva São João!

zongzi cozido

 

et voilà!

Agora vou fazer a moral com a vizinhança e distribuir meus zongzi!
 
 

Aqui na China…

Segundo a minha massagista, quando você espirra tem alguém falando de você. Se você espirra duas vezes tem alguém com saudades de você. Se você espirra três ou quatro vezes é gripe mesmo!

Continuando a pegada do mandarim…

outro dia me vi querendo xingar alguém e me ocorreu algo incrível: eu não sabia nenhum xingamento em chinês! Pra não mentir, eu sabia um, mas que definitivamente não se aplicava ao folgado que me fechou na bicicleta. Era 三八 (san ba), que literalmente quer dizer três oito, que remete ao oito de março, dia internacional da mulher. Dizer que uma pessoa é san ba (vale para homem e pra mulher) é dizer que ela é mulherzinha, fala demais, fofoqueira. Acho que se eu falasse isso para o motoqueiro ele ia dizer: san ba é você, sua gringa mala!

Aprendi mais um xingamento numérico, com uma história bem engraçada por trás. Dizer que uma pessoa é 二百五(er bai wu) é dizer que ela é trouxa. Er bai wu significa 250, e a explicação é a seguinte: há muitos e muitos anos, um rei estava atrás de um general traidor e ofereceu 1000 moedas para quem trouxesse informações do seu paradeiro. Quatro pessoas o fizeram e ganharam 250 moedas cada. O rei, muito malandro, na sequência mandou matá-los e recolheu o dinheiro de volta!

Tem também 十三点(13 o’clock), que normalmente é usado para pessoas idiotas. A origem dessa é que quando alguém tocava o sino anunciando as horas, se ele tocasse treze vezes era um burro, considerando que aqui na China eles contam 1-12 (am/pm).

Ao escrever esse post e checar alguns xingamentos descobri vários posts com milhões de xingamentos, mas eu vou parando por aqui porque hoje estou de bom humor e não pretendo xingar ningúem!

Nossa! Só agora eu percebi que escrevi esse post numa sexta-feira treze! Será que quer dizer alguma coisa?!

Eu sempre gostei de muito, de atacado, ver todos aqueles produtos empilhados e ficar sonhando em trabalhar com isso ou aquilo, no fundo não importa muito o tema. Pode ser broca, talheres, móveis, enfim, o que valhe é a quantidade e o sonho!

Eu andava muito curiosa em ir nessas feiras aqui da China, que atraem tantos “homens de negócio”. A verdade é que aqui na China tem tanta feira sobre qualquer tema que eu poderia me ocupar apenas disso.

Hoje foi a minha estréia na Bakery China. Não sabia muito o que esperar, enfim, fui na louca. O programa se revelou completamente o máximo. Tá certo que o assunto me interessa, mas fiquei maravilhada em andar entre estandes e mais estandes espalhados em oito galpões imensos! Tinha de tudo! Máquinas, embalagem, produtos, bolos (muitos!)…

Falando em bolos, eu não sou muito fã desses bolos decorados, sempre acho que é quase impossível ser delicioso já que ficam escarafunchando e trabalhando em cima do bolo. Mas confesso que alguns dos daqui estavam  bem engraçados:

 
 

bolos animaisbolo da ave maluca

 

e alguns bem bonitos:

bolo elegante bolo chique

 

bolo chique

 Na linha bolo de noiva tinha um estande bem divertido, para todos os gostos e bolsos. E as vendedoras estavam vestidas de noiva!

bolo de noiva. R$400,00. Quer comprar?

 

bolo de noiva tradicional Mas o que mais me encantou foram as formas de mooncake, um bolinho que é dado de presente para amigos e familiares no middle autumn festival. Ainda não sei bem o que vou fazer com eles, mas eram irresistíveis e acabei comprando algumas. moldes de mooncakemooncake

 

De quebra ainda dei um pulinho na feira de vidro que acontecia nos galpões ao lado, mas a essa altura eu já estava esgotada e cheia de catálogos e amostras…

Estou na China há um ano e meio e meus estudos de mandarim foram e voltaram com a maré, conforme dava. Fiz uns sete meses de aula particular e desde março comecei um semestre intensivo na universidade.  Diferentemente de outras línguas, o mandarim exige um estudo asssíduo para melhorar. Não é como italiano ou francês, que tendo uma base mínima e estando no país você aprende. Pra começar, a China tem mais de oitenta línguas e dialetos devido a sua diversidade de minorias étnicas e províncias. O mandarim foi adotado como a língua oficial e é ensinado nas escolas, como forma de unificar a nação. Como moro em Xangai, a língua que se fala na rua é, naturalmente, o xangainês. Por ser uma cidade com 40% de pessoas de fora, entre estrangeiros e chineses de outras províncias, eles automaticamente passam a falar mandarim com qualquer estrangeiro (ufa!). No começo, como eu não entendia nada, achava que o xangainês e o mandarim eram muito semelhantes, julgava ser preciosismo dizer que eram línguas diferentes. Na minha cabeça era como se fossem sotaques diferentes. Doce ilusão… quanto mais estudo mais percebo a distinção!

Tem dias que eu me pego pensando: Por que diabos eu estou aprendendo chinês??? Pra que vai me servir? Por mais que eu estude, é uma língua tão diferente que dificilmente eu serei capaz de ter uma conversa inteligente com um chinês. Graças ao bom deus, tem outros dias que eu me vejo super contente ao ser capaz de ler uma frase na rua! Pareço criança aprendendo a ler, fico atenta a placas de rua, propaganda no ônibus, cardápios, o que for! Tem momentos que até dá dor de cabeça essa fixação!

Algumas características do mandarim:

- não se conjuga verbos. A noção de tempo verbal se dá pelo contexto ou algumas palavrinhas mágicas que indicam que a ação já aconteceu, que irá acontecer…

-pin yin é o sistema de romanização dos caracteres, isto é, transformando o som dos caracteres nas nossas amadas letrinhas. Ele é a fonética do chinês.

-existem 5 tons, que seriam como acentos, que tornam tudo imensamente mais complicado. Um mesmo som pode ter infinitos significados, dependendo do tom…

-o mandarim é uma língua incrivelmente lógica. Por exemplo, para dizer “último” aqui se diz o mais de trás. “Bonito” é bom de ver, “feio” é difícil de ver, e assim vai…  isso ajuda aqueles, como eu, com uma imaginação fértil para inventar palavras e sem vocabulário… Guimarães Rosa se divertiria por essas bandas…

-existem aproximadamente 6.000 caracteres, que são como sílabas-palavras que se juntam, formando palavras e sentenças. Com dois mil caracteres eu seria bem feliz.

- os caracteres representam símbolos. Quanto mais se estuda, mas fácil é reconhecê-los, uma vez que é formado por radicais que dão “pistas” do assunto, como 海  que é mar, esses três risquinhos a esquerda do caracter indicam água. No entanto, muitas vezes a viagem simbólica que eles fazem vai tão longe que eu considero uma viagem na batatinha. Em geral, a parte esquerda do caracter representa o significado e a da direita o som. Muitos dos caracteres tem uma história interessante por trás. Por exemplo, 有 quer dizer “ter”. O traço superior junto com a vírgula a esquerda quer dizer mão. A outra parte mais ortogonal antigamente queria dizer carne. Portanto ter, possuir, era exclusivamente para os ricos que tinham a possibilidade de tocar na carne!

Aí vão algumas fotos das minhas tentativas de aprender chinês!

caderno das aulas de chinês

post it espalhados pela casa na véspera da prova

a prova...

até na aula de caligrafia eu me arrisquei!

Myanmar

Ilustríssimos, escrevi um post sobre a viagem que eu fiz ao Myanmar no Minas de Ouro. Vale a pena conferir!

Banhe-se!

A nossa última diversão aqui na China são as casas de banho. Era uma coisa que eu queria conferir há tempos. Não posso acreditar que passei tantos anos sem esse prazer imensurável na minha vida! Nunca fui uma garota que frequentava o clube, ouço meus irmãos dizerem que fizeram sauna no clube, sempre achei um programa de homens.

O fato é que aqui na China o bem estar faz parte da vida deles, sem ser considerado um luxo. Dá para perceber isso pela quantidade de casas de massagens e… banhos!

O programa funciona assim: você vai a uma dessas casas, paga um tanto para entrar (em torno de R$20,00 a R$40,00) e usa e abusa das jacuzzis, saunas e piscinas. Além disso tem outros serviços, pagos a parte, como massagem de corpo, no pé, exfoliação, óleos, banho de leite… Na imensa maioria das casas as mulheres ficam separadas dos homens, e estes ganham mais opções de jacuzzis que a gente! Not fair! Tem piscina quente ao ao livre, tem até piscina com peixe, que come a pele morta! Quem sabe se na próxima vida eu reencarnar homem…

A primeira casa de banho que a gente foi tinha uma parte unisex, por isso a gente a escolheu. Chegando lá,  não sabíamos muito como proceder: ninguém falava inglês pra explicarnos o que era pra fazer. Nos separaram, cada um foi para o seu vestiário. Depois de trancos e barrancos, sem saber se era para ficar de maiô ou pelado, ficar no vestiário ou sair, nos encontramos. Fizemos tudo errado: chegamos famintos, comemos e depois fomos para as piscinas! A parte conjunta era a mais boboca, com uma piscina aquecida grande, uma pequena com sal, uma sem, e três pelando com chá e espuma. As opções no vestiário são melhores,  cada um com seus semelhantes, pelados, felizes da vida, sem vergonha do corpo. Fiz uma exfoliação bem forte, quando levantei da maca vi grumos que pareciam argila, era minha pele morta! A moça perguntou se eu queria que ela passasse leite na minha pele e eu, rapidamente aceitei! Uma sensação muito gostosa, leite morno hidratando minha pele novinha! Qualquer coisa que ela me oferecesse, eu aceitaria! Depois disso, você coloca o pijama que eles te dão, troca a sandália (deles também!) e vai para a área de descanso! São imensas poltronas que você deita, com televisões particulares, te oferecem massagem nos pés. Eu preferi uma massagem de corpo. No total ficamos lá enfurnados umas 5 horas, num domingo chuvoso e saimos felizes e contentes para uma pizza de domingo a noite!

A segunda casa de banhos que a gente foi era em Pequim. Fomos pra lá tirar o visto do Myanmar. Fazia um frio de -8 graus, impossível de andar na rua. A gente não tinha muito para onde ir, estávamos hospedados num hostel xexelento e logo veio a idéia: nos enfiar numa casa de banho! Aqui na China tem um serviço no celular que é sensacional. Você manda uma mensagem para eles com o nome do lugar que você quer ir e em um segundo vem a resposta! Escrevi: bath house beijing. Vieram algumas opções, escolhemos a mais próxima e lá fomos nós… essa era ainda mais luxuosa que a primeira! Tinha sala com computadores, refeição inclusa (um verdadeiro banquete!). Enfim, tudo que a gente precisava!

Como no Brasil não tem a cultura de banhos públicos, muita gente olha com maus olhos, pensa que pode ser um lugar sujo ou promíscuo. Ledo engano… chegando lá, a primeira coisa a fazer é tomar banho. Tem mil produtos a disposição, xampu, creme, hidratante, escova de dente… só então as pessoas entram nas águas.

Com o tempo fui percebendo uma característica do chinês. Se você está pagando, você pode pedir o que quiser. A primeira vez que notei isso foi numa aula de chinês em que a professora me ensinou a dizer para o motorista de taxi não fumar. Eu achei estranho e disse: mas o carro dele, é normal pedir isso?! Ela respondeu: claro! Você está pagando! Tive um pouco essa sensação nas casas de banho. Você paga para ser bem tratado, do jeito que você considera bom. Tem mil pessoas para te ajudar, te extender uma toalha, te indicar o caminho, te servir. Um pouco como passar algumas horas num castelo de Caras, infinito enquanto dure!

Infelizmente (ou felizmente!) não é permitido fotografar lá dentro, então cacei umas fotos na internet, mas a bem da verdade é que as que eu fui eram bem diferentes dessas…

Hairy crab

Os chineses de Xangai e arredores são doentes por hairy crab (caranguejo cabeludo?!). O nome vem dos pelos que eles tem na patola.

o macho é o debaixo e a fêmea o de cima

Em outubro é a época boa para comer a fêmea, que está com os ovos; os machos nessa época ainda estão meio magrinhos… Em dezembro é o auge para devorar os machos.
É muito engraçado, tem lojas que vendem outras coisas durante o resto do ano e se especializam em caranguejos nesses quatro meses. Você compra eles vivos, amarradinhos, e coloca para cozinhar. Quando eles mudam de cor (do verde para o laranja) é sinal que estão bons.
Diferentemente dos brasileiros, que gostam mesmo da patola, os chineses deliram com o corpo do bicho. Cada dia mais estou de acordo com eles! Tanto sabor reunido!
Para aqueles que não gostam de comer com a mão ou tem preguiça de uma refeição trabalhosa, é só fechar essa página. Se você não for um desses, aí vai o passo a passo:
1. Diferenças entre o macho e a fêmea. O macho é mais cabeludo e maior, e tem a parte inferior assim:

macho

A fêmea, por sua vez tem a barriga assim:

fêmea

2. Vire o bichano de cabeça pra baixo e comece puxando a parte central da casca

começar abrindo pela barriga

3. Levante então a carcaça

4. Usando as patas como alavanca, parta o caranguejo ao meio

5. Coma o meio que é uma delícia! Eles mergulham no vinagre com gengibre e açúcar, que são frios, para contrabalancear o quente do caranguejo (falando da essência de cada comida, não de temperatura!)

6. Encare as patas, rastreando cada minúscula amostra de carne, usando a própria unha dele como pinça

7. Se você fez tudo certinho, seu prato no final vai ficar mais ou menos assim:

Pra vocês terem uma idéia como eles curtem os caranguejos, o meu amigo internético e ligado Beto mandou um link de uma matéria mostrando uma dessas máquinas de Coca Cola, só que ao invés de refrigerante tem os bichos vivos! Resolvi checar com uns amigos chineses, pra saber se não era balela e eles disseram: é verdade! Eles te pagam dez caranguejos se o que você comprou estiver morto! Fresquíssimo! Pena que é em Nanquim… vou ter que ir até lá conferir!

Agora me voy, tem dois deles me esperando para o jantar!

Passando a vida

Hoje estreei minha fantástica tábua de passar roupa. Confesso que o ferro me passa sentimentos variados, de maravilhamento, impotência, milagre…

Quando eu era pequena via a Zia passar roupa cantarolando, ao mesmo tempo que ouvia outra coisa no rádio. Era um clima bem gostoso na lavanderia. Às vezes pedia para ela me deixar passar roupa e as minhas prediletas eram as meias (hoje eu me pergunto: quem passa meia?!).

O fato é que cresci, fui morar sozinha, e, por graça da minha história, nunca precisei passar roupa na vida. A minha empregada implorou para eu comprar uma tábua de passar roupa. Era a última coisa com que eu queria gastar dinheiro…

Aí eu me mudei para a China. Aqui não se passa roupa. E o pior: eles nem aparecem todo amassados! Sabe lá o milagre que fazem…. e justo eu, que nunca liguei muito para estar bem esticadinha, me senti mulamba demais.

Minha primeira atitude foi comprar um ferro. Caí naqueles golpes dos práticos e baratos lançamentos para a dona de casa. Era um mini ferro, que funcionava como um grampeador, você agarra a manga da camisa e puxa. O homem que vendia fazia verdadeiro milagre com a máquina! Torcia a camisa, jogava no chão, aí passava que ficava uma maravilha. Cheguei em casa toda animada e, nada! Nada, nada, simplesmente nada! Passava e passava aquela joça e não acontecia nada com a camisa! Me irritei. Algumas semanas deposi criei coragem e fui comprar um ferro de verdade. Mostrei para a minha empregada chinesa, e ofereci a ela o ferro velho. Ela deu risada e disse que já tinha um desses e que não funcionava, que um outro patrão gringo dela também tinha comprado! Passada uma semana, e nada… duas semanas… Me irritei! Por que diabos ela não passa minhas roupas?! Comecei a dar sinais, deixá-lo em cima da mesa no dia que ela vinha trabalhar… nada. Aí descobri que não dava tempo de passar. Aumentei um dia de trabalho. Agora vai!

Ela começou a passar roupa na minha cômoda chinesa antiga! E aquela belíssima laca deu lugar para bolhas enfurecidas! Ela me mostrou com a maior naturalidade e disse que agora usava uma toalha para proteger o móvel! Passada a ira e várias outras semanas saí de casa decidida a comprar uma tábua de passar! Achei, era caríssima (para uma tábua), comprei, saí da loja muito alegre!

Isso tudo para chegar à experiência de hoje… estava eu só em casa e resolvi passar uma calça. O ferro está todo em chinês, então gastei um certo tempo para entender. Abri a tábua e fiquei facinada! Como é hergonômica, como permite passar cantinhos inimagináveis! Tudo tão bem pensado! Foi me dando uma alegria, fui lembrando da Zia passando roupa e me imaginei cantarolando, pensando na vida. Mas a verdade foi que precisava ficar tão atenta ao que eu fazia, que não funcionou muito como terapia! Um pouco como na ioga, que o professor fala: tente esvaziar sua mente, pensar no presente momento, deixar as preocupações de fora. Pronto! É aí que você não para de pensar em tudo que te preocupa!

Quando eu menos esperava, já tinha passado a calça, a blusa, o resto do varal, o nervosismo e pelo menos uma hora!

Suzhou

Suzhou é uma cidade a 120km de Xangai, a melhor forma de chegar lá é de trem de alta velocidade, leva apenas 23 minutos!

A parte antiga da cidade é uma graça! É um clima de uma mini Parati, pra ir sem pressa, tomar chá na beira do canal lendo um livro. Muitos casais vão até lá tirar fotos “antigas” para o book dos seus futuros casamentos!

A fama de Suzhou vem pelos seus jardins, o mais famoso de todos se chama Jardim do Administrador Humilde, um dos quatro jardins mais famosos da China.

Além disso tem um museu lindíssimo projetado pelo Pei, o mesmo arquiteto da pirâmide do Louvre. É de um bom gosto ímpar, luz e sombra comme il faut, uma releitura da arquitetura tradicional da região, onde ele passou sua infância, tudo muito atual e elegante.

Como todo bom museu chinês, o acervo vai de porcelana a caligrafia, passando por vestuário, objetos de jade, seda e objetos funerários… É impressionante pensar que algumas das peças expostas tem mais de 6000 anos!

Tem um calçadão em uma área mais comercial, que não tem tanta graça, mas que tem duas atrações que valem o passeio: o templo do Mistério e o tradicional peixe esquilo, um prato tradicional da região, que é um peixe virado ao avesso, frito com um molho agridoce.

peixe em forma de esquilo

Mais afastado tem outro centro comercial, com um complexo de restaurantes na beira de um lago, que junto com a enorme estação de trem mostram que os chineses não estão para brincadeira! O negócio é pensar grande e a longo prazo!

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