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Acabei de escrever um post sobre a Sapataria Fascinante no Minas de Ouro. Check it out!

Depois de um longo sumiço, muita coisa aconteceu. Escrevi o último post em junho de 2011. De lá pra cá a vida xangainesa entrou numa certa rotina: aulas de mandarim, trabalhos de arquitetura como freelance, viagens. Eis que em março voltamos ao Brasil, para começar um novo ciclo.

O balanço desse tempo na China é infinitamente positivo! Foram dois anos e meio de novidades, desafios, alegrias, tristezas, tudo graças ao fator distância. A chance de sair da sua cidade, do seu país, ver as coisas com olhos novos, repensar a vida, as relações, faz você dar muito mais valor ao que tem, deixar passar o que não importa. Por isso sou a maior incentivadora desses planos que parecem maluquices, de largar tudo e tentar de algum outro jeito. Sempre tem outro jeito. Não tem certo nem errado, sempre dá tempo de mudar.

Voltei ao Brasil super curiosa, com olhos sedentos. Refiz programas antigos com muito mais vontade. Fui ao Ceasa logo que voltei, um programa que eu sempre fiz e curti,  e minha mãe disse: “nossa, você está parecendo uma turista que nunca veio aqui antes!”. É justamente essa a graça, se encantar de novo!

Não sei que fim levará esse blog, se continuo mostrando as minhas andanças e coisas que chamam os meus olhos. Esse é o meu desejo, mas a vida paulistana é muito mais agitada e corrida do que a vida que eu estava levando na China. Que será, será!

Há um ano escrevi esse post sobre o Dragon Boat Festival. Eis que a vida passa, eu continuo na China e dessa vez resolvi fazer os tais zongzi com as minhas próprias mãos! A tarefa não é fácil… mas vamos lá! Me matriculei numa aula e eis no que deu:

Zongzi é um pacotinho de arroz aglutinado, com diferentes opções de recheios, envolto em folhas de cana de açúcar. Eu achava que era de bambu, mas ledo engano.

Na aula aprendi dois formatos: um triangular, bem difícil, e com um recheio de arroz com feijão um tanto duvidoso… e um retangular, que é o que eu vou mostrar aqui, com recheio de porco e ovo de pato.

Ingredientes :

ingredientes

  • 500g de arroz aglutinado*
  • 300g da barriga do porco marinado** (a gordura é essencial, pois derreterá e deixará o arroz saboroso)
  • 10 gemas de pato salgado (É uma gema pequena e dura, aqui é fácil de comprar. Se não achar dá pra descartar, não é essencial)
  • 30 folhas de cana (pré cozidas por 3 minutos)

*temperos do arroz:

  • 2 colheres de molho de soja escuro (esse serve para dar a cor)
  • 2 colheres de molho de soja claro (esse serve para dar o gosto)

Lave o arroz e deixe-o de molho por pelo menos uma hora. Escorra. Misture os temperos.

**temperos do porco:

  • 1 colher de sopa de vinho amarelo de arroz
  • 1 colher de chá de sal
  • 1/2 colher de chá de caldo de galinha em pó (eles usam isso pra muitas receitas!)
  • 3 colheres de chá de açúcar

Corte a barriga do porco em cubos de aproximadamente 30g. Adicione o tempero e deixe marinando por 5 horas.

Montagem:

pegue 3 folhas formando um leque e uma folha no sentido oposto.

3 folhas num sentido e 1 no sentido inverso
Dobre as folhas ao meio formando a ponta de triângulo não muito profundo:

primeira dobra

 Montando o recheio colocando um pouco do arroz  na parte profunda do triângulo, acrescente um cubo de carne e uma gema, cubra com mais um pouco de arroz, preenchendo mais na direção da folha do que para os lados, senão não dá pra fechar o bolinho. 

colocando o recheio

 

 

zongzi prontos para ir para a panela

 
Coloque-os na panela, cubra com água e cozinhe em fogo alto até começar a ferver, depois abaixe o fogo e deixe cozinhar por 3 horas, de tampa fechada. Se precisa colocar mais água, coloque água quente para não interromper o cozimento. Enquanto cozinhava, minha casa foi inundada por um cheiro delicioso que parecia pamonha, que me fez lembrar que é mês de festa junina! Viva São João!

zongzi cozido

 

et voilà!

Agora vou fazer a moral com a vizinhança e distribuir meus zongzi!
 
 

Aqui na China…

Segundo a minha massagista, quando você espirra tem alguém falando de você. Se você espirra duas vezes tem alguém com saudades de você. Se você espirra três ou quatro vezes é gripe mesmo!

Continuando a pegada do mandarim…

outro dia me vi querendo xingar alguém e me ocorreu algo incrível: eu não sabia nenhum xingamento em chinês! Pra não mentir, eu sabia um, mas que definitivamente não se aplicava ao folgado que me fechou na bicicleta. Era 三八 (san ba), que literalmente quer dizer três oito, que remete ao oito de março, dia internacional da mulher. Dizer que uma pessoa é san ba (vale para homem e pra mulher) é dizer que ela é mulherzinha, fala demais, fofoqueira. Acho que se eu falasse isso para o motoqueiro ele ia dizer: san ba é você, sua gringa mala!

Aprendi mais um xingamento numérico, com uma história bem engraçada por trás. Dizer que uma pessoa é 二百五(er bai wu) é dizer que ela é trouxa. Er bai wu significa 250, e a explicação é a seguinte: há muitos e muitos anos, um rei estava atrás de um general traidor e ofereceu 1000 moedas para quem trouxesse informações do seu paradeiro. Quatro pessoas o fizeram e ganharam 250 moedas cada. O rei, muito malandro, na sequência mandou matá-los e recolheu o dinheiro de volta!

Tem também 十三点(13 o’clock), que normalmente é usado para pessoas idiotas. A origem dessa é que quando alguém tocava o sino anunciando as horas, se ele tocasse treze vezes era um burro, considerando que aqui na China eles contam 1-12 (am/pm).

Ao escrever esse post e checar alguns xingamentos descobri vários posts com milhões de xingamentos, mas eu vou parando por aqui porque hoje estou de bom humor e não pretendo xingar ningúem!

Nossa! Só agora eu percebi que escrevi esse post numa sexta-feira treze! Será que quer dizer alguma coisa?!

Eu sempre gostei de muito, de atacado, ver todos aqueles produtos empilhados e ficar sonhando em trabalhar com isso ou aquilo, no fundo não importa muito o tema. Pode ser broca, talheres, móveis, enfim, o que valhe é a quantidade e o sonho!

Eu andava muito curiosa em ir nessas feiras aqui da China, que atraem tantos “homens de negócio”. A verdade é que aqui na China tem tanta feira sobre qualquer tema que eu poderia me ocupar apenas disso.

Hoje foi a minha estréia na Bakery China. Não sabia muito o que esperar, enfim, fui na louca. O programa se revelou completamente o máximo. Tá certo que o assunto me interessa, mas fiquei maravilhada em andar entre estandes e mais estandes espalhados em oito galpões imensos! Tinha de tudo! Máquinas, embalagem, produtos, bolos (muitos!)…

Falando em bolos, eu não sou muito fã desses bolos decorados, sempre acho que é quase impossível ser delicioso já que ficam escarafunchando e trabalhando em cima do bolo. Mas confesso que alguns dos daqui estavam  bem engraçados:

 
 

bolos animaisbolo da ave maluca

 

e alguns bem bonitos:

bolo elegante bolo chique

 

bolo chique

 Na linha bolo de noiva tinha um estande bem divertido, para todos os gostos e bolsos. E as vendedoras estavam vestidas de noiva!

bolo de noiva. R$400,00. Quer comprar?

 

bolo de noiva tradicional Mas o que mais me encantou foram as formas de mooncake, um bolinho que é dado de presente para amigos e familiares no middle autumn festival. Ainda não sei bem o que vou fazer com eles, mas eram irresistíveis e acabei comprando algumas. moldes de mooncakemooncake

 

De quebra ainda dei um pulinho na feira de vidro que acontecia nos galpões ao lado, mas a essa altura eu já estava esgotada e cheia de catálogos e amostras…

Estou na China há um ano e meio e meus estudos de mandarim foram e voltaram com a maré, conforme dava. Fiz uns sete meses de aula particular e desde março comecei um semestre intensivo na universidade.  Diferentemente de outras línguas, o mandarim exige um estudo asssíduo para melhorar. Não é como italiano ou francês, que tendo uma base mínima e estando no país você aprende. Pra começar, a China tem mais de oitenta línguas e dialetos devido a sua diversidade de minorias étnicas e províncias. O mandarim foi adotado como a língua oficial e é ensinado nas escolas, como forma de unificar a nação. Como moro em Xangai, a língua que se fala na rua é, naturalmente, o xangainês. Por ser uma cidade com 40% de pessoas de fora, entre estrangeiros e chineses de outras províncias, eles automaticamente passam a falar mandarim com qualquer estrangeiro (ufa!). No começo, como eu não entendia nada, achava que o xangainês e o mandarim eram muito semelhantes, julgava ser preciosismo dizer que eram línguas diferentes. Na minha cabeça era como se fossem sotaques diferentes. Doce ilusão… quanto mais estudo mais percebo a distinção!

Tem dias que eu me pego pensando: Por que diabos eu estou aprendendo chinês??? Pra que vai me servir? Por mais que eu estude, é uma língua tão diferente que dificilmente eu serei capaz de ter uma conversa inteligente com um chinês. Graças ao bom deus, tem outros dias que eu me vejo super contente ao ser capaz de ler uma frase na rua! Pareço criança aprendendo a ler, fico atenta a placas de rua, propaganda no ônibus, cardápios, o que for! Tem momentos que até dá dor de cabeça essa fixação!

Algumas características do mandarim:

– não se conjuga verbos. A noção de tempo verbal se dá pelo contexto ou algumas palavrinhas mágicas que indicam que a ação já aconteceu, que irá acontecer…

-pin yin é o sistema de romanização dos caracteres, isto é, transformando o som dos caracteres nas nossas amadas letrinhas. Ele é a fonética do chinês.

-existem 5 tons, que seriam como acentos, que tornam tudo imensamente mais complicado. Um mesmo som pode ter infinitos significados, dependendo do tom…

-o mandarim é uma língua incrivelmente lógica. Por exemplo, para dizer “último” aqui se diz o mais de trás. “Bonito” é bom de ver, “feio” é difícil de ver, e assim vai…  isso ajuda aqueles, como eu, com uma imaginação fértil para inventar palavras e sem vocabulário… Guimarães Rosa se divertiria por essas bandas…

-existem aproximadamente 6.000 caracteres, que são como sílabas-palavras que se juntam, formando palavras e sentenças. Com dois mil caracteres eu seria bem feliz.

– os caracteres representam símbolos. Quanto mais se estuda, mas fácil é reconhecê-los, uma vez que é formado por radicais que dão “pistas” do assunto, como 海  que é mar, esses três risquinhos a esquerda do caracter indicam água. No entanto, muitas vezes a viagem simbólica que eles fazem vai tão longe que eu considero uma viagem na batatinha. Em geral, a parte esquerda do caracter representa o significado e a da direita o som. Muitos dos caracteres tem uma história interessante por trás. Por exemplo, 有 quer dizer “ter”. O traço superior junto com a vírgula a esquerda quer dizer mão. A outra parte mais ortogonal antigamente queria dizer carne. Portanto ter, possuir, era exclusivamente para os ricos que tinham a possibilidade de tocar na carne!

Aí vão algumas fotos das minhas tentativas de aprender chinês!

caderno das aulas de chinês

post it espalhados pela casa na véspera da prova

a prova...

até na aula de caligrafia eu me arrisquei!

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